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Poucas pessoas estão preparadas para lidar com
a morte. Isso se deve, principalmente, à visão que temos dela. Vemos nela um
problema ou uma solução. Quando pensamos em nossa morte ou de alguém que amamos
apresenta-se como um problema. Quando pensamos na morte de um desafeto ou a
buscamos num momento de desespero apresenta-se como uma solução. Mas na verdade
ela é apenas uma mudança de estado.
Para
entendermos a morte devemos nos conscientizar de que somos espíritos. Que
estamos usando um corpo que tem prazo de validade. Um dia ele não funcionará
mais. Ninguém morre. Por isso usamos a expressão desencarne, que é deixar o
corpo de carne.
Apenas
deixamos um corpo sem vida e continuamos a viver sem esta vestimenta. A vida
continua. Levamos conosco o que somos e o que construímos durante a encarnação.
De bom ou de ruim.
O medo que ela
nos inspira nasce, normalmente, da incerteza acerca do futuro. Como nossa
educação cristã nos deu uma idéia fantasiosa da vida após a morte ficamos
inseguros em relação àquilo que encontraremos. A idéia de um céu e um inferno
eternos faz com que uns tornem-se descrentes e outros temerosos. Aliás, o
inferno foi criado como forma de impor o medo e estabelecer o domínio sobre as
pessoas. Quem tem coragem para refletir sobre o assunto não acredita em um Deus que pudesse nos
reservar um destino tão cruel.
Com
o Espiritismo temos uma visão clara e realista da vida após a morte do corpo,
isso dá tranqüilidade para refletirmos sobre ela. Também nos deixa mais
tranqüilos quanto ao desencarne das pessoas que amamos. Pois, sabemos que a
separação é momentânea, que as encontraremos no futuro. E que do plano
espiritual elas nos acompanham e continuam a fazer parte de nossas vidas, mesmo
que não percebamos. Os encontramos em nosso sono e eles nos acompanham de
perto.
É uma ilusão esperamos que um
problema de relacionamento resolva-se com a morte do desafeto. O inimigo
desencarnado pode ser mais perigoso do que quando encarnado. Pode nos perseguir
e prejudicar sem que percebamos, o que diminui nossa capacidade de nos
defendermos.
A morte também não é uma solução
para nossos problemas, já que continuaremos sendo a mesma pessoa, carregando as
mesmas virtudes e imperfeições. E quando é buscada através do suicídio a
situação se complica bastante. Além dos problemas que o suicida tinha ele passa
sofrer as conseqüências deste ato, e são conseqüências muito dolorosas.
Não
é solução para o sofrimento das pessoas que amamos. Aliviar a dor através da
morte não é o caminho. A eutanásia é um grave erro. Também não é solução para
uma gravidez indesejada. O aborto é um crime.
A
dificuldade de lidar com a morte pode tornar-se um grande problema em nossas
vidas. Para convivermos com ela com mais tranqüilidade é importante o
conhecimento Os ensinamentos espíritas nos permitem compreender e assim
diminuir a preocupação e a dor. Entendendo que ela é um processo natural,
superamos o medo e auxiliamos os que partiram. Isso é importante, pois o
desespero dos que ficam prejudica aqueles que foram.
Esta
compreensão também é importante para convivermos com nossas dificuldades,
entendendo que tudo é passageiro, que logo retornaremos à pátria espiritual e
lá colheremos os frutos de nossos esforços. A encarnação é uma viagem, com
começo, meio e fim. É importante que a aproveitemos bem.
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